Por que Em Camadas? A história de quem decidiu parar de adiar aos 49 anos

Este blog não nasceu de uma grande certeza. Nasceu de uma pergunta que eu não conseguia mais ignorar: e eu, quem sou quando não estou sendo o que os outros precisam que eu seja?

Por Naty Ricartti  ·  Apresentação  ·  Leitura: 5 min

Se você chegou até aqui, talvez seja porque algo no nome te chamou. Em Camadas. E antes de qualquer reflexão, qualquer tema, qualquer artigo, acho que faz sentido começar pelo começo: te contar por que esse nome, quem sou eu e o que você vai encontrar neste espaço.

Porque todo blog tem uma história por trás. E a minha, honestamente, começou com um cansaço.

O nome que explica tudo

Eu escolhi o nome Em Camadas porque acredito que é assim que a vida funciona. Cada fase que a gente atravessa não apaga a anterior. Ela se deposita por cima. Vai formando quem a gente é, camada por camada, ano por ano, experiência por experiência.

A menina que fui ainda está aqui. A jovem que sonhou, a mulher que construiu família e carreira, a mãe que não dormia de verdade porque estava sempre de plantão, a pessoa que adiou a própria vez sem nem perceber que estava fazendo isso. Todas essas camadas me compõem.

E aos 49 anos, decidi que era hora de olhar para tudo isso. De entender quem existe por baixo de todas as funções que exerci ao longo da vida.

Chegou a minha vez. Eu preciso me permitir fazer o que eu quero.

Parece simples de dizer. Mas para quem passou décadas colocando o bem estar de todos na frente do próprio, é uma das frases mais difíceis e mais libertadoras que existem.

Quem sou eu quando ninguém está precisando de mim

Meu nome é Naty Ricartti. Sou eterna aprendiz em psicanálise, e digo eterna aprendiz porque quanto mais estudo, mais entendo que o ser humano é complexo demais para caber em qualquer fórmula pronta.

Durante muitos anos vivi o que acho que muitas mulheres conhecem bem: a vida organizada em torno dos outros. Filhos, família, trabalho, as necessidades de todo mundo recebendo atenção antes das minhas. Não com ressentimento, preciso deixar isso claro. Com amor. Mas com uma parte de mim que foi ficando para depois, para quando sobrar tempo, para quando as coisas se acomodarem.

O problema é que o tempo não sobra. Ele passa.

E em algum momento, já nos meus 40 e tantos, percebi que estava vivendo uma vida que funcionava, mas que não me representava completamente. Que havia perguntas dentro de mim sem resposta. Que havia vontades que eu tinha aprendido a silenciar tão bem que quase não ouvia mais.

Isso não é crise. É o processo de uma mulher acordando para si mesma. E é exatamente sobre isso que este blog existe para conversar.

A mudança de carreira que ninguém esperava, inclusive eu

Aos 49 anos decidi mudar de carreira. Não porque a antiga não funcionava. Mas porque eu estava pronta para algo que fosse mais meu, mais inteiro, mais alinhado com quem eu estava me tornando nesse processo de autodescoberta.

Não foi uma decisão fácil. Teve medo. Teve dúvida. Teve a voz interna que pergunta se não é tarde demais, se não é arriscado demais, se os outros vão entender.

Mas teve também uma certeza que foi crescendo em silêncio por muito tempo: de que adiar mais seria um desperdício que eu não conseguia mais justificar.

E foi nesse processo, nessa virada, que este blog nasceu. Como um espaço para pensar em voz alta. Para compartilhar reflexões sobre saúde mental, fé, cotidiano e tudo aquilo que importa quando a gente para de correr e começa a se perguntar o que realmente quer construir com o tempo que tem.

A fé que sustenta tudo isso

Não dá para falar de quem sou sem falar de fé. Ela não é um detalhe da minha história. É a base.

Em todos os momentos de virada da minha vida, foi a fé que me sustentou. Não uma fé ingênua que espera que tudo seja fácil. Uma fé que convive com a dúvida, que enfrenta a escuridão, que às vezes não entende, mas ainda assim confia.

Você vai encontrar espiritualidade por aqui. Não como imposição, não como pregação. Como parte honesta de quem eu sou e de como eu processo a vida. Para quem também caminha pela fé, espero que seja um espaço de identificação. Para quem não caminha, espero que seja um espaço de respeito mútuo e reflexão genuína.

O que você vai encontrar por aqui

Em Camadas não tem uma pauta fechada porque a vida não tem. Mas tem alguns territórios que são os meus e que vão aparecer com frequência:

Temas do blog

Saúde mental e vida emocional, sem jargão clínico, com honestidade e acolhimento

Fé, espiritualidade e as perguntas que não cabem em resposta rápida

Reflexões sobre relacionamentos, maternidade e o que significa amar de verdade

O cotidiano, com tudo que ele tem de banal e de profundo ao mesmo tempo

A experiência de se redescobrir depois dos 40, sem romantizar e sem dramatizar

Livros, ideias e assuntos que me movem por dentro e que podem mover você também

Não vou ter todas as respostas. Não é esse o objetivo. O objetivo é criar um espaço onde pensar junto seja o suficiente.

Para você que chegou até aqui

Se você é uma mulher que também sente que viveu muito tempo no modo automático, cuidando de tudo e de todos sem se perguntar o que quer para si mesma, este blog foi feito pensando em você.

Se você está numa fase de dúvida, de busca, de perguntas sobre fé e sobre sentido, você é muito bem-vinda aqui.

Se você está pensando em recomeçar algo, mudar de direção, parar de adiar uma vida que é sua de direito, eu quero caminhar junto nessa reflexão.

Não existe tarde demais quando a pergunta certa é feita. E a pergunta certa, descobri aos 49 anos, não é o que eu ainda consigo construir. É o que eu ainda não me permiti ser.

Cada camada que a vida deposita em nós carrega uma versão de quem fomos. Mas por baixo de todas elas, existe quem a gente sempre foi. E quem a gente ainda pode se tornar.

Seja bem-vinda ao Em Camadas.


Você também está nesse processo?

Me conta nos comentários o que te trouxe até aqui. Fico feliz em saber que não estamos caminhando sozinhas.

E se este espaço fez sentido pra você, compartilha com outra mulher que também precisa ouvir que a vez dela chegou.

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